Seeing Being Seen: Territories, Frontiers, Circulations 2022 by Icaro Setembro 18, 2022 0 Mini-Hangar, Novidades, Novidades a decorrer, Screenings

Seeing Being Seen: Territories, Frontiers, Circulations 2022

26 de Setembro – 19h

Exibição do filme de Ana Vaz “13 WAYS OF LOOKING AT A BLACKBIRD” (2020) seguido de uma conversa entre Ana Vaz, Paula Nascimento e Raquel Schefer – Um programa de Raquel Schefer.

DETALHES

Tirando o título de um poema homónimo de Wallace Stevens, “13 Ways of Looking at a Blackbird” é composto por uma série de experiencias em torno de olhar e ser olhado. A partir de um convite das Galerias Municipais de Lisboa para a participação de Ana Vaz no projeto educativo DESCOLA, o filme tornou-se num caleidoscópio das experiencias, questoes e deslumbramentos de dois alunos do ensino secundário, durante um ano de encontros regulares com a cineasta, questionando o que pode ser o cinema. Aqui, a câmara torna-se num instrumento de investigação, num lápis, numa canção. Numa constelação de frases e desenhos coletivos elaborados durante um dos workshops, um aluno escreveu “O filme é uma música que se pode ver” – uma descrição perfeita para este filme que explora uma ecologia nascente dos sentidos.

Sobre o programa “Seeing Being Seen: Territories, Frontiers, Circulations “:

Iniciado em 2020, o programa “Seeing Being Seen: Territories, Frontiers, Circulations “, uma proposta de Raquel Schefer, procura examinar as questões que atravessam a produção artística e cinematográfica contemporânea latino-americana. Através de formas de filme experimental, as obras apresentam situações sensoriais em que o observador é tacitamente exposto ao olhar do observado, processos de “ver ser visto” e experiências de co-presença próximas de um modelo de co-representação que ultrapassa o sujeito/objecto aparentemente estável de oposição. A activação, agência e circulação das perspectivas (humana e não humana, mecânica, animal, vegetal, mineral) são centrais para estes filmes. Eles superam as representações coloniais da paisagem, natureza e figura humana num quadro de reciprocidade e desantropocentralização, uma questão fundamental num período de iminente catástrofe ecológica e ameaça para os povos ameríndios.

Exibições/conversas anteriores: Alexandra Cuesta, Laura Huertas Millán, Colectivo Los Ingrávidos, María Rojas Arias;

Projecto apoiado por DGartes, parte do programa de investigação do Hangar ‘Seeing Being Seen’: Territórios, Fronteiras, Circulação”.

BIOGRAFIAS

Raquel Schefer é investigadora, realizadora, programadora e professora associada na Universidade Sorbonne Nouvelle. Doutorada em Estudos Cinematográficos e Audiovisuais pela Universidade Sorbonne Nouvelle, é mestre em Cinema Documental pela Universidad del Cine de Buenos Aires e licenciada em Ciências da Comunicação pela Universidade Nova de Lisboa. Publicou a obra “El Autorretrato en el Documental”, bem como diversos capítulos de livros e artigos. Foi Professora Assistente na Universidade Grenoble Alpes, docente nas Universidades Paris Est — Marne-la-Vallée, Rennes 2, na Universidad del Cine de Buenos Aires, na Universidad de la Comunicación, na Cidade do México, e na Elías Querejeta Zine Eskola, bem como investigadora convidada na Universidade da Califórnia, Los Angeles. Foi bolseira de pós-doutoramento da FCT no CEC/Universidade de Lisboa, no IHC/Universidade Nova de Lisboa e na Universidade do Western Cape. É co-editora da revista de teoria e história do cinema La Furia Umana e conselheira de programação do International Film Festival Rotterdam (IDFA).

A filmografia crítica e especulativa de Ana Vaz (1986, Brasília) apoia-se em colagens experimentais de imagens e sons, por ela criados ou encontrados, reflectindo sobre situaçoes e contextos histórica e geograficamente marcados por narrativas de violencia e repressão. O impacto do colonialismo e da ruína ecológica são o pano de fundo dos seus poemas cinematográficos. A sua prática também passa pela escrita, pedagogia crítica, instalaçoes, programas de filmes ou eventos efémeros. Os seus filmes tem sido apresentados em festivais e instituiçoes como Berlinale Forum Expanded, Tate Modern, Palais de Tokyo, Jeu de Paume, LUX Moving Images, New York Film Festival – Projections, IFFR, TIFF Wavelengths, BFI, Cinéma du Réel, CPH:DOX, Flaherty Seminar. Contam-se as exposiçoes recentes: 36o Panorama da Arte Brasileira: “Sertão” no MAM Museu de Arte Moderna (São Paulo), “Meta-Arquivo 1964-1985″: Espaço para ouvir e ler as histórias da ditadura militar no Brasil” no Sesc- Belenzinho (São Paulo), “Profundidad de Campo” no Matadero (Madrid), “Ecologies of Darkness” no Savvy Contemporary (Berlim), “The Voyage Out” no LUX Moving Images (Londres). Em 2015, recebeu o prémio Kazuko Trust Award concedido pela Lincoln Center Film Society em reconhecimento da excelencia artística e inovação do seu trabalho cinematográfico. Em 2020, o seu filme Apiyemiyekî? teve estreias no IFFR e Berlinale Forum Expanded, e foi premiado em festivais internacionais entre os quais Punto de Vista (Espanha), 25FPS (Croácia), Black Canvas (México), Festival dei Popoli (Itália).

Paula Nascimento nasceu em Angola e vive em Lisboa. É profissional da cultura com funções na programação, gestão de projectos, produção e comunicação. Tem trabalhado essencialmente nas artes performativas. É formada em Comunicação e em Gestão das Artes do Espectáculo. Programou e dirigiu o palco EDP Rock Street África no Rock in Rio Lisboa (2018) e as três edições do África Festival (2005, 2006, 2007) para as Festas de Lisboa, evento que trouxe uma nova postura e visão da música produzida em África ou com ligações ao continente. Foi gestora de projectos no Africa.Cont (2009-2016). Dirigiu o Teatro Taborda (2005), trabalhou na direcção do Teatro Maria Matos (2000-2004) e desenvolveu o Ciclo África Cá (2002). Leccionou Gestão Cultural e Produção de Eventos na Restart – Instituto de Criatividade, Artes e Novas Tecnologias (2008-2015).Produziu e participou no filme “13 Ways of Looking at a Blackbird”, de Ana Vaz (2019/2020). Colaborou com Pedro Costa na apresentação do filme “Cavalo Dinheiro” (2014). Foi membro fundador do Projecto Ruínas – Grupo de Teatro e colabora pontualmente com criadores independentes. Vive intensamente a sua Lisboa e as mudanças da vida cultural reconhecendo as marcas do tempo nas ruas e nas mentalidades. Angola e Cabo Verde são histórias vivas da sua família. Paula persiste na luta pela compreensão do mundo e por mudar a visão estreita sobre um continente culturalmente complexo. É membro da pouco lendária banda Falhumana.