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Imaginando o Arquivo

19 de Julho de 2025

17h

Hangar – Centro de Investigação Artística

Entrada Gratuita

As práticas de arquivo e de memorial são essenciais em contextos onde a abordagem a erros históricos ou a demanda por reparações estão em causa. O arquivo serve como repositório do que é necessário reunir e reconhecer para que possa ser deixado para trás e inaugurar o futuro. O arquivo manifesta, por um lado, a autoridade da lei bem como a sua consciência perturbada e, por outro, a resistência que lhe é feita. Se é verdade que não pode haver vítimas sem reconhecimento, nem perpetradores sem responsabilidade, e que não há justiça sem reparação, o arquivo é uma parte indispensável da resposta à violência biopolítica do capitaloceno.

Porém, especialmente nos casos em que a memória coletiva foi usurpada ou invisibilizada, além de foz da história, o arquivo é também fonte de possibilidades para o futuro. Nestes casos, a (re)construção de um arquivo torna-se imperiosa como forma de fortalecer o sentido de pertença, a autoestima e a esperança.

O filme tem sido amiúde convocado como meio para a construção e registo de um arquivo comunitário, cujas origens remontam, por vezes, a um tempo ancestral. Pés firmes na Terra Estremecida (2025) criação partilhada com o povo tremembé e Black Out (2016) feito com o quilombo de Conceição das Crioulas são exemplos maravilhosos do que aqui dizemos.

Izabelle Louise nasceu entre o mangue e o mar, entre Fortaleza e Itarema (Ceará, Brasil), entre a palavra e a imagem. É descendente do povo indígena Tremembé e Doutoranda em Belas-Artes pela Universidade de Lisboa, com período de mobilidade acadêmica na Hochschule für bildende Künste Hamburg (Alemanha). É investigadora colaboradora no CIEBA (Centro de Investigação e de Estudos em Belas-Artes), no AfectaLab – Laboratório de Investigação e Criação Partilhada em Cinema e Outras Imagens em Movimento (Universidade da Beira Interior e Universidade de Lisboa) e no LICCA (Laboratório de investigação em Corpo, Comunicação e Arte da Universidade Federal do Ceará). Pesquisa cinema e epistemologia indígena, termo que tem nomeado como imagem encantada.

Keven Tremembé é Indígena do povo Tremembé da Barra do Mundaú, Itapipoca-CE, artista indígena da dança e de outras linguagens da arte, dançarino do grupo artístico de dança do povo Tremembé Parente Torém, integrante do coletivo Baião Jovem de Itapipoca, comunicador indígena e agente ambiental indígena, graduando em Humanidades pela UNILAB. Já participou de algumas formações de dança e outras linguagens da arte, em 2023 se formou no curso técnico de dança pela Escola Livre Balé Baião de Itapipoca. Ao longo dos últimos três anos vem desenvolvendo trabalhos de dança, trazendo dentro dos espetáculos um pouco da cultura e resistência do povo Tremembé.

Iago Barreto é arte educador, fotógrafo e cineasta, mestre em artes pelo IFCE, atualmente coordena a escola Brotar Cinema com o povo Anacé. Já dirigiu os filmes A margem de um rio que correm meus ancestrais(2021), Mãe terra(2022) pela Fio Cruz Ceará, e Torém(2022) pelo Sesc Ce, trabalhou ainda na orientação e a equipe de diversos filmes envolvendo questão de lutas territoriais e indígenas.

Felipe Calheiros
Com trajetória em audiovisual, educação, comunicação e fotografia, é jornalista e realizador de documentários na RTP África. Criou e coordenou o projeto “Tankalé: formação para o auto-registro audiovisual quilombola”. Colaborou como gestor de conteúdos em emissoras públicas brasileiras, como a TVE Bahia, a TV Pernambuco e a TV Universitária do Recife. Licenciado em Gestão e em Direito, mestre em Extensão Rural e Desenvolvimento Local, e atualmente doutorando em Educação Artística pela Universidade do Porto / Universidade de Lisboa.