(un)childhood

vídeo ensaio em dupla projecção, cor, som, 53’ 35’’

Maria Lusitano

(un)childhood é um video ensaio para dois ecrans de 53 minutos que aborda os tempos e as vozes da infância duma forma peculiar. O video-ensaio é o resultado de quatro anos e meio de trabalho artístico com crianças e adultos que em várias ocasiões se reuniram á volta da câmara para falarem ou viverem a infância.

Uma das crianças que mais participou no projeto, foi o meu filho Mateus. “Sou eu que mando nesta brincadeira” diz Mateus assertivamente para a video-câmara a certo momento. No entanto, quem manda na brincadeira, somos todos nós.

Todos os participantes no projeto, colaboraram no mesmo através de conversas sobre memórias de infância, conceitos de parentalidade, desejos e sonhos, ou em momentos de brincadeira, onde juntos improvisámos e revivemos os vários eventos do quotidiano, as nossas aspirações, os nossos desejos e também medos.

O filme inclui também imagens de antigos filmes super 8 da minha família, excertos de filmes ficcionais importantes na história do cinema, e ainda um vídeo arquivo feito independentemente pelo Mateus, para o seu canal de música do YouTube.

(un)childhood performa e por sua vez constrói a infância, como o resultado de varias vozes relacionais, convidando o espectador a participar nesse processo de construção. O filme propõe que a infância como metáfora, não é um símbolo do passado, do intemporal ou da inocência. A infância é algo de hoje existindo como um processo que é posto em prática e materializado em corpos, através da linguagem. As vozes da infância são construídas por todos. Estas são provenientes tanto do mundo real dos adultos e das crianças como do mundo de personagens ficcionais.

O video-ensaio é assim, sobretudo um retrato do desenrolar no tempo, duma consciência relacional, que é a que nos constrói a todos.

Maria Lusitano participou em varios eventos internacionais tais como a Bienal de Arte Europeia: Manifesta 5 (2004) Photo Espanha (2006) Madrid, e Bienal de São Paulo (2010). Exibiu em vários museus e galerias internacionalmente, tais como: Moderna Museet de Estocolmo (2010), LundsKonstHall (Suecia, 2010), Museu da Faculdade de Belas Artes de Seul (2011), Galeria 198 em Londres (2013), Museu de Arte Contemporânea de Antuérpia (2006), Museu da Electricidade de Lisboa (2013), Fundação Calouste Gulbenkian (2011), Museu Berardo (2002, 2011), Fundação de Serralves (2003).

As suas obras estão presentes em várias colecções tais como Colecção Fundação EDP, Colecção Fundação PMLJ, Colecção Calouste Gulbenkian, MoMa, Centro Georges Pompidou, e vários coleccionadores privados.