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TALK | Irlando Ferreira

CONVERSA COM IRLANDO FERREIRA

06.06.2026 às 18h, 2026

Na conversa, proponho explorar de que forma a arte e a prática curatorial podem servir como atos de resistência, enraizados naquilo que defino como uma “perspetiva atlântica”. Na minha investigação, posiciono Cabo Verde no “umbigo” dessa perspetiva atlântica, um ponto axial de ligação e energia criativa que serve de modelo para novos enquadramentos curatoriais de potencial transformador. A partir desta perspetiva, a arte e a curadoria apresentam-se como catalisadores de experiências insulares, promovendo noções de comunidade, diálogo e transformação, bem como propondo caminhos para novas formas de pertença cultural e social.

Refletirei sobre como diferentes gerações de artistas e curadores em Cabo Verde têm recorrido à prática e à resistência coletiva para estabelecer uma identidade cultural, tomando como referência o Centro Nacional de Arte, Artesanato e design, onde exerci funções de diretor e curador-chefe entre 2015 e 2023.

A partir deste contexto, apresentarei uma abordagem mais ampla de “resistência curatorial”, uma visão e metodologia globais que convidam curadores e profissionais da cultura a refletir sobre a relevância do seu trabalho no contexto da consolidação das narrativas nacionais. Esta abordagem coloca a criatividade em primeiro plano como resposta à limitação de recursos, sobretudo em sociedades marcadas por roturas históricas e incertezas contemporâneas. Proponho, assim, examinar a dimensão do cuidado, da especulação e da imaginação como ponto de partida para moldar futuros alternativo

Irlando Ferreira é curador, investigador e gestor cultural.
Atualmente, é doutorando no Research Centre for Arts, Memory and Communities da Coventry University (Reino Unido), com financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e cofinanciamento da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG). É também curador em residência na Central Saint Martins, em Londres. Em 2024, foi Curatorial Research Fellowna Independent Curators International (ICI), onde é atualmente colaborador.
Entre 2015 e 2023, exerceu funções de Diretor e Curador-chefe do Centro Nacional de Arte, Artesanato e Design (CNAD), em Cabo Verde, onde liderou o posicionamento curatorial e estratégico da instituição e desenvolveu um programa expositivo e curatorial interdisciplinar. Nesse período, foi curador de exposições várias, como Ilha em IV Atosde Luísa Queirós; Arkipélg de Carlos Noronha Feio; e FIOS – Tapeçaria de Cabo Verde e Criação Cabo-verdiana: Percursos, em co-curadoria com Adélia Borges.
Foi distinguido como uma das “100 Personalidades negras mais influentes da lusofonia” pela Bantumen Power List (2022) e eleito um dos “Pensadores africanos mais Influentes com menos de 40 anos” pela revista britânica de artes visuais Apollo Magazine (2020).