Rafaela Foz by Icaro Janeiro 28, 2022 0 Portfolios

Rafaela Foz é formada em Artes Visuais pela FAAP e pós-graduanda em Práticas artísticas pela mesma instituição. Seus trabalhos integraram exposições coletivas em galerias como a Zipper e Lona, e instituições como o Museu de Arte de Ribeirão Preto e o Museu de Arte Brasileira. Foi premiada pelo 12º Salão dos Artistas sem Galeria de 2021 e pela 28ª Mostra de Arte da Juventude em 2017. Dirigiu entre 2017 e 2020 o Espaço Breu, espaço autônomo de arte no qual organizou e produziu diversos projetos culturais, como “Projeto de Fachada” e “Conversas no Breu”.

Sua prática artística tem como eixos estruturais três objetos de pesquisa: a temporalidade, a experiência cotidiana e a construção da paisagem. Nem sempre intrincadas, aborda essas noções através de leituras, caminhos e ângulos diversos por meio de mídias como o vídeo, a fotografia, a instalação e a performance. Explora materiais e situações através de sua potência de transformação no tempo e pelo tempo, conferindo à duração um papel importante em sua poética.

Em lugar de uma coleta pragmática de materiais e leituras, deixa-se levar por uma ideia de pesquisa e de produção artística marcadas por vivências temporais e processuais. Entende-se como uma colecionadora de imagens, sensações, descrições e conceitos que, por alguma razão, se destacam dentre as experiências banais e nela se manifestam como arrebatamentos ou potências poéticas. Com poucas e simples operações, busca ao mesmo tempo produzir a suspensão do sentido comum das coisas, que na banalidade da vida “normal” reveste-se de uma aura de necessidade e pragmatismo, e engendrar com essas coisas experiências extra-ordinárias, aspirando sempre a uma síntese assertiva entre ideia e forma.

Instigada pela sensação de enlevo que se experimenta diante da natureza, Rafaela procura criar uma atmosfera silenciosa e contemplativa em seu trabalho, influenciada pela ideia de um jardim japonês, cuja função é expressar a fragilidade da existência e o avanço irrefreável do tempo através da construção de simulacros da natureza. Embora atraída por este “estado de alma tão particular” provocado pela contemplação do natural, a artista não deixa de ver nas tentativas de simulação deste uma certa comicidade, da qual se vale de forma sutil em alguns de seus trabalhos. Longe de almejar um expectador passivo, apartado do objeto de arte ou da experiência estética, interessa à artista uma certa imersão física e intelectual deste.