LANÇAMENTO DO LIVRO | ATLANTICA: CONTEMPORARY ART FROM MOZAMBIQUE AND ITS DIASPORA by Ricardo Janeiro 08, 2021 0 Novidades a decorrer

Data e Horário: January 20th | 7pm

Talk will be held in English.
To participate in the talk please send an email to register: hangarcia.production@gmail.com

Local: Live streaming will be available on Facebook

Detalhes

ATLANTICA: CONTEMPORARY ART FROM MOZAMBIQUE AND ITS DIASPORA assinala a segunda publicação da editora Hangar Books, especializada em publicações no contexto das artes contemporâneas, com foco nas espistemologias do sul.

Conversa mediada pelo curador Bruno Leitão com as artistas Ângela Ferreira, Camila Maissune e Eugénia Mussa, a investigadora Ana Balona de Oliveira e os curadores Azu Nwagbogu e Rafael Mouzinho.

Organizado por Mónica de Miranda.

Atlantica é um livro sobre a arte contemporânea de Moçambique
e a sua diáspora. Reúne imagens das obras de 14 artistas visuais e ensaios teóricos de curadores e estudiosos. Tendo em conta a produção artística do novo milénio em Moçambique, esta obra reflecte distintas histórias e visões artísticas, a par de uma grande variedade de formatos e géneros de escrita, espelhando igualmente a diversidade de origens dos seus autores.
As práticas da arte contemporânea que têm surgido e se desenvolveram no país são em si ferramentas de resistência e rebelião. Como tal, centrais para as estratégias de descolonização que os artistas usaram para entender, analisar e resistir ao impacto socioeconómico dos eventos quotidianos e das suas próprias realidades pessoais.

Livro editado por Ângela Ferreira com coordenação de Mónica de Miranda.

Artistas: Maimuna Adam, Filipe Branquinho, Jorge Dias, Ângela Ferreira, Gemuce, Eurídice Kala, Camila Maissune, Gonçalo Mabunda, Mário Macilau, Celestino Mudaulane, Félix Mula, Eugénia Mussa, Marilú Námoda, Mauro Pinto

Ensaios: Storm Janse Van Rensburg, Raquel Schefer, Álvaro Luis Lima, Alda Costa, Drew Thompson, António Pinto Ribeiro, Ana Balona de Oliveira, Afonso Dias Ramos, Nomusa Makhubu, João Silvério, Maria do Mar Fazenda, Rui Assubuji, Nkule Mabaso, Paula Nascimento, Dellinda Collier, Azu Nwagbogu, Sihle Motsa

O livro é uma co-edição HANGAR – CEC e conta com o apoio da Dgartes – Direcção Geral das Artes, Centro de Estudos Comparatistas, Faculdade de Letras, Universidade de Lisboa, Fundação PMLJ, CIEBA – Centro de Investigação e de Estudos em Belas-Artes e Orfeu Negro. Este projeto foi produzido com financiamento do fundo nacional da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P., no âmbito do projeto UID/ELT/00509/2020.

Bios

AZU NWAGBOGU é Fundador e Diretor da African Artists’ Foundation (AAF), uma organização sem fins lucrativos com sede em Lagos, Nigéria. Nwagbogu foi eleito Diretor Interino/Curador Chefe do Museu Zeitz de Arte Contemporânea da África do Sul de Junho de 2018 a Agosto de 2019. Nwagbogu atua também como Fundador e Director do Festival LagosPhoto, um festival anual internacional de fotografia artística realizado em Laos. É o criador do Art Base África, um espaço virtual para descobrir e aprender a Arte Africana Contemporânea. Nwagbogu foi júri do Dutch Doc, POPCAP Photography Awards, World Press Photo, Prisma Photography Award (2015), Greenpeace Photo Award (2016), New York Times Portfolio Review (2017-18), W. Eugene Smith Award (2018), Photo Espana (2018), Foam Paul Huf Award (2019), Wellcome photography prize (2019) e é jurado regular de organizações como Lensculture e Magnum.

Durante os últimos 20 anos, fez curadoria de colecções privadas para vários indivíduos e organizações empresariais proeminentes em África. Nwagbogu obteve um mestrado em Saúde Pública pela Universidade de Cambridge. Vive e trabalha em Lagos, Nigéria.

ANA BALONA DE OLIVEIRA é investigadora FCT (CEEC 2017) no Instituto de História de Arte da Universidade Nova de Lisboa (IHA-FCSH-NOVA), onde co-coordena o cluster ‘Transnational Perspectives on Contemporary Art: Identities and Representation’, e colaboradora no Centro de Estudos Comparatistas da Universidade de Lisboa (CEC-FLUL). Tem leccionado em várias instituições em Portugal e no Reino Unido, onde se doutorou (Fort/Da: Unhomely and Hybrid Displacements in the Work of Ângela Ferreira, c. 1980-2008, Courtauld Institute of Art, 2012). A sua investigação incide sobre narrativas coloniais, anti- e pós-coloniais, migração e globalização na arte contemporânea de países ‘lusófonos’ e outros, numa perspectiva feminista interseccional e descolonial. Publicou artigos na Nka: Journal of Contemporary African Art, Third Text, African Arts, etc.; co-editou os volumes Diálogos com Ruy Duarte de Carvalho (2019), Atlantica: Contemporary Art from Angola and its Diaspora (2018), etc.; contribuíu com ensaios e entrevistas para os catálogos Recent Histories: Contemporary African Photography and Video Art (2017), Novo Banco Photo 2015, etc., e para os volumes Revolution 3.0: Iconographies of Radical Change (2019), (Re)Imagining African Independence: Film, Visual Arts and the Fall of the Portuguese Empire (2017), Red Africa: Affective Communities and the Cold War (2016), Edson Chagas: Found Not Taken (2015), etc. Comissariou as exposições individuais Edson Chagas: Oikonomos (CCP, Luanda, 2019), Ângela Ferreira: Underground Cinemas & Towering Radios (Galeria Av. da Índia, Lisboa, 2016), Ângela Ferreira: Monuments in Reverse (CAAA, Guimarães, 2015); co-comissariou a exposição colectiva Ruy Duarte de Carvalho: Uma Delicada Zona de Compromisso (Galeria Quadrum, Lisboa, 2015-2016), etc.; e organizou os ciclos de conversas Artistic Migrations in and beyond Lisbon (Hangar, Lisboa, 2015- 2016) e Thinking from the South: Comparing Post-Colonial Histories and Diasporic Identities through Artistic Practices and Spaces (Hangar, Lisboa, 2018).

ÂNGELA FERREIRA, nasceu em 1958 em Maputo, Moçambique. Concluiu os estudos de Artes Plásticas na África do Sul obtendo o grau de mestre na Michaelis School of Fine Art, University of Cape Town. Atualmente vive e trabalha em Lisboa, leciona na Faculdade de Belas Artes de Lisboa, onde obteve o Doutoramento, em 2016. O trabalho de Ângela Ferreira desenvolve-se em torno do impacto do colonialismo e pós-colonialismo na sociedade contemporânea. Estas investigações são guiadas por uma pesquisa profunda e pelo filtrar de ideias que conduzem a formas concisas, depuradas e evocativas. Representou Portugal na 52ª Bienal de Veneza em 2007, onde continuou as suas investigações sobre a forma como o modernismo europeu se adaptou, ou não, às realidades do continente africano traçando a história da ‘Maison Tropicale’ de Jean Prouvé. É ainda a arquitetura que serve de ponto de partida para a o aprofundamento da sua longa pesquisa em torno do apagamento da memória colonial e a recusa da reparação, que encontra a sua mais complexa materialização na obra A Tendency to Forget (2015) focando o trabalho etnográfico do casal Jorge e Margot Dias. Pan African Unity Mural (2018), exibido no Maat Museum Lisboa e no Bildmuseet , Umea, Suécia foi concebido, retrospectiva e introspectivamente, para o “aqui” e o “agora”. Além da sua própria trajetória, outras histórias biográficas são simultaneamente narradas, expostas e escondidas neste trabalho. Em Dalaba: Sol’Exile (2019) um trabalho focado em Miriam Makeba, uma das mais proeminentes figuras contra o apartheid, Ferreira cria várias esculturas baseadas em elementos arquitectónicos da casa de exílio onde Makeba viveu em Conakri, quase como um protótipo da relação entre o modernismo e a arquitectura vernacular Africana. As suas homenagens escultóricas, sonoras e videográficas têm continuamente referenciado a história económica, política e cultural do continente africano ao recuperar a imagem e obra de algumas figuras inesperadas como Bob Dylan, Peter Blum, Carlos Cardoso, Ingrid Jonker, Jimi Hendrix, Jorge Ben Jor, Diego Rivera, ou Miriam Makeba.

Dos seus trabalhos recentes destacam-se: One Million Roses for Angela Davis (2020); Dalaba: sol’Exil (2019); Pan African Unity Mural (2018), Remining (2017); Talk Tower for Diego Rivera (2017); Boca (2016); Wattle and Daub(2016); Hollows Tunnels, Cavities and more… (2016); A Tendency to Forget (2015); Wild Decolonization (2015); Messy Colonialism (2015); Revolutionary Traces (2014); SAAL Brigades (2014); Independance Cha Cha (2014); Entrer dans la mine (2013); Mount Mabu (2013); Stone Free (2012); Political Cameras (For Mozambique series) (2012); Collapsing Structures/ Talking Buildings (2012); Cape Sonnets (2010/2012); For Mozambique (2008).

BRUNO LEITÃO nasceu em Lisboa em 1979 e vive entre Madrid e Lisboa.

É diretor curatorial do Hangar – Centro de Investigação Artística. No Hangar tem comissariado e programado várias exposições, entre elas Cuaderno de Ejercicios de Luis Camnitzer (2019), A Ilha de Vénus de Kiluanji Kia Henda no Hangar (2018); Cubismo Ideológico de Carlos Amorales no Hangar (2017); Plagiar o Futuro, co-comissariada com Andrea Rodríguez Novoa, com os artistas Edouard Decam, Elena Bajo, João Maria Gusmão e Pedro Paiva, Jordi Colomer, Letícia Ramos, Louidgi Beltrame, Marlon de Azambuja e Rosa Barba (2016); Sem Título de João Onofre e Princípio Tautológico com Igor Jesus, Sara e André, Cristina Garrido, Javier Núñez Gasco, João Paulo Serafim, João Ferro Martins, Daniel Barroca, Paolo Chiasera e Los Torreznos (2015).

Como um curador independente comissariou recentemente Taxidermia do Futuro/Taxidermy of the Future no Museu de História Natural de Angola e na Bienal de Lubumbashi (Lubumbashi, R.D.Congo, 2019); Pouco a Pouco, a primeira exposição individual de Ângela Ferreira em Espanha no CGAC (Santiago de Compostela, 2019); Affective Utopia na Kadist Foundation (Paris, 2019) com os artistas Sammy Baloji & Filip De Boeck, Luis Camnitzer, Ângela Ferreira, Alfredo Jaar, Kiluanji Kia Henda, Grada Kilomba, Reynier Leyva Novo e Paulo Nazareth; Topología del Aura com Carles Congost, Javier Núñez Gasco, Igor Jesus, Sara e André na galeria Bacelos (Madrid, 2016); El Buen Caligrama na Galeria The Goma (Madrid, 2015); You Love Me, You Love Me Not na Galeria Municipal do Porto (Porto, 2015); Atelier Utopia no Porto Fundação EDP (2012); Contr/acto na 3 + 1 Arte Contemporânea (Lisboa, 2014); entre outras.

Contribuiu para várias revistas e catálogos. Entre eles, destacam-se Atlantica: Contemporary arts from Angola and its diaspora (Hangar Books), The Gap (comissariada por Luc Tuymans na Parasol Unit, Londres e Mukha, Antuérpia), a revista Atlántica, a revista Dardo, Artishock (Chile) e Artecapital.

CAMILA MAISSUNE (Moçambique, 1984), é uma artista visual; licenciada em Ciências Sociais com foco em Antropologia Visual e Mestrado e Doutoramento em Cultura Visual. Explorando temas relativos a “Imagem, Cultura e Produção de Significado”, é membro de investigação do grupo “Estudos Interdisciplinares de Imagens” realizado no âmbito do programa Arte e Cultura Visual da Universidade Federal de Goiânia (UFG, Brasil). Os seus principais temas de investigação incluem: artes e etnografia, paisagens, memória e identidade. Participou em várias exposições colectivas em Moçambique, Portugal, Brasil e Cabo Verde. A sua investigação atual centra-se na estética e nas políticas do Oceano Índico nas artes contemporâneas e fotografia.

EUGÉNIA MUSSA (Maputo, 1978) iniciou os seus estudos em artes plásticas na City & Islington College, em Londres, formou-se em Pintura na Ar.Co, em 2009. No mesmo ano, foi uma das finalistas do Prémio Anteciparte. Em 2010 recebeu uma Menção Honrosa na exposição comemorativa do 25º aniversário do Banco de Moçambique. Em 2013, teve uma exposição individual no Espaço Arte Tranquilidade, exibiu na Fundação Calouste Gulbenkian e na galeria João Esteves Oliveira, onde até hoje exibe regularmente. Na sua prática artística podemos encontrar uma preocupação constante com o repensar a história dos movimentos artísticos da pintura. Atualmente, vive em Lisboa e as suas obras fazem parte de coleções particulares e institucionais. Algumas das suas obras podem agora ser vistas na Coleção Moderna do Museu Calouste Gulbenkian.

RAFAEL BORDALO MOUZINHO (1979) was born in Maputo, Mozambique, and began his relationship with the arts by taking a Ceramics course (1999-2005) at the Escola Nacional de Artes Visuais. Thereafter, he completed a Degree in Visual Arts at the Instituto Superior de Artes e Cultura (ISarC), in Maputo (2009- 2012), and has combined his practice as an artist with art curating, writing and teaching. Some
of the highlights of his artistic experience are his participation in Expo Arte Contemporânea (MUVART), at Museu Nacional de Arte (Mozambique: 2004 and 2006); Hora 0,
at Centro Cultural Franco-Moçambicano (Mozambique: 2005); Maputo: a tale of one city (Norway, Zimbabwe and Maputo: 2009- 2011); and Processo: A obra desafiando o artista at Galeria Kulunguana (Mozambique: 2014). He has contributed to the Justaposição project by choreographing the piece Centauros, showcased at the Festival Kinani (Mozambique: 2013), and This Ain’t Africa at Dialogues Africa Festival (Germany: 2014). He has published renowned articles for Atitudes e tendências estéticas, for the exhibition catalogue of Pedalando (Gemuce’s exhibition); Arte como
compromisso ético, the introduction for Félix Mula in the exhibition Processos: Artista, Obra e público na Galeria Kulunguana (Mozambique: 2014); and Barriga de Dragão in the book One million, Fourty years (and sixty three days), SMAC Gallery, South Africa. He has also written Nos escombros da memória and conducted
the following interviews: Uma conversa entre Rafael Mouzinho e Félix Mula; Ângela Ferreira: Uma conversa entre Alda Costa e Rafael Mouzinho; as well as the introductory catalogue for South Facing, Johannesburg Art Gallery (2017) and Third Text, Vol. 5, Mozambique (2018). Currently, he is an assistant curator at the Colecção de Arte/Galeria of the Universidade Eduardo Mondlane and teacher at a curating workshop at the Instituto Superior de Artes e Cultura (ISArC).