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Imaginando o Arquivo

IMAGINANDO O ARQUIVO

6 DE DEZEMBRO – 16h

Conversa entre Kitty Furtado e Felisbela Ramalho

IMAGINANDO O ARQUIVO é um programa de investigação com curadoria de Kitty Furtado.

Hangar – Centro de Investigação Artística

Este momento propõe-se como o fim de um ciclo e o início de outro, ao convocar o arquivo escondido de mulheres negras nascidas em Angola antes da independência e que cresceram em Portugal. Uma conversa entre duas amigas de longa data, que se estende ao público presente — duas crianças em África, no estertor do império; duas mulheres negras que cresceram no Portugal pós-imperial.

As práticas de arquivo e de memorial são essenciais em contextos onde a abordagem a erros históricos ou a demanda por reparações estão em causa. O arquivo serve como repositório do que é necessário reunir e reconhecer para que possa ser deixado para trás e inaugurar o futuro. O arquivo manifesta, por um lado, a autoridade da lei bem como a sua consciência perturbada e, por outro, a resistência que lhe é feita. Se é verdade que não pode haver vítimas sem reconhecimento, nem perpetradores sem responsabilidade, e que não há justiça sem reparação, o arquivo é uma parte indispensável da resposta à violência biopolítica do capitaloceno.

Porém, especialmente nos casos em que a memória coletiva foi usurpada ou invisibilizada, além de foz da história, o arquivo é também fonte de possibilidades para o futuro. Nestes casos, a (re)construção de um arquivo torna-se imperiosa como forma de fortalecer o sentido de pertença, a autoestima e a esperança.

Ana Cristina Pereira (Kitty Furtado) é crítica cultural empenhada na diluição de fronteiras entre academia e esfera pública. Tem curado mostras de cinema (pós)colonial e promovido a discussão pública em torno da Memória, do Racismo e das Reparações, sendo criadora da Oficina de Reparações (mala voadora, Porto, 2023). É investigadora do CECS (Universidade do Minho), onde desenvolve o projeto individual Black Gaze e é professora convidada da FBAUP (Universidade do Porto). Fez parte da equipa curatorial da representação de Portugal na Bienal de Veneza 2024, no âmbito da qual foi curadora do programa Biomes. É membro ativo do GT de Cultura Visual da SOPCOM de que foi coordenadora entre 2019 e 2024 sendo, nessa qualidade, subdiretora da VISTA: revista de Cultura Visual. Entre outros textos e edições de números especiais publicou, com Rosa Cabecinhas, o livro “Abrir os gomos do tempo: conversas sobre cinema em Moçambique” (2022)

Felisbela Ramalho é professora do ensino básico e secundário. Licenciada em ensino de Português, Latim e Grego pela Universidade de Aveiro. Nasceu em Angola, em 1968, filha de mãe angolana e pai português. Em 1975, veio para Portugal com a família nuclear, no decurso do processo de independência de Angola. Até à presente data não regressou ao país de origem.