Edson Chagas
Factory of Disposable Feelings
by Icaro Setembro 01, 2022 0 Exposições, Novidades, Novidades a decorrer

Edson Chagas
Factory of Disposable Feelings

Curadoria Ana Balona de Oliveira

Abertura: 23 de Setembro às 18h
24 de Setembro a 05 de Novembro de 2022

HANGAR – Centro de Investigação Artística
Rua Damasceno Monteiro, 12 r/c
1170-112 Lisboa
Aberto ao público: Quarta – Sábado | 15h – 19h

‘Edson Chagas: Factory of Disposable Feelings’ apresenta uma das mais recentes séries fotográficas de Edson Chagas (Angola, 1977), realizada no bairro do Cazenga, em Luanda, em Angola, entre 2017 e 2018. Tendo sido anteriormente exibida a solo apenas na Cidade do Cabo, na África do Sul, em 2019, ‘Factory of Disposable Feelings’ surge agora pela primeira vez em Lisboa numa nova configuração, incluindo imagens inéditas.

Esta série dá continuidade às indagações que singularizam a obra de Chagas, nomeadamente a atenção às relações vivenciais e afetivas que os sujeitos estabelecem com objetos e espaços quotidianos, contrariando rápidos ritmos de consumo através de um olhar desacelerado que perscruta em proximidade matérias, formas e texturas descartadas. Contudo, a série marca simultaneamente uma espécie de viragem, na medida em que, ao contrário de séries anteriores realizadas em vários espaços públicos urbanos a Norte e a Sul, vagamente identificados (as ruas e praias de Luanda, Veneza, Londres e Newport, etc.), nesta série, pela primeira vez, o fotógrafo concentrou-se nos espaços interiores e exteriores de uma arquitetura específica. Trata-se da Fábrica Irmãos Carneiro no Cazenga, em Luanda, uma antiga fábrica têxtil fundada no período colonial, que, pertencendo a uma família luso-angolana, continuou a laborar após a independência de Angola e durante as várias fases da guerra civil (1975-2002), produzindo lençóis, fraldas e uniformes militares, etc. Mais recentemente, foi redirecionada para a produção de utensílios agrícolas, tendo sido parcialmente abandonada.

Através da sua própria experiência corpórea e afetiva deste espaço, e de conversas não só com os seus donos, mas principalmente com os seus antigos trabalhadores, alguns dos quais se tornaram seguranças do edifício após o encerramento da fábrica, Chagas compôs uma espécie de retrato em sequência aberta, simultaneamente íntimo e dialógico, de um lugar múltiplo: situado algures entre as particularidades desta arquitetura e as dinâmicas alargadas do bairro, da cidade e do país; entre a história coletiva e a memória individual; entre a objetividade concreta da matéria e da máquina (tanto a fabril como a fotográfica) e a subjetividade da experiência e do olhar. A intensidade das vivências partilhadas pelos antigos trabalhadores impregnou de memória o espaço e os seus objetos, que, embora evidenciando perda, se transmutaram em arquivos afetivos excedendo poeticamente os limites do visível e do documentável. Símbolo do próprio país em suspenso e dos vários projetos de suposta modernidade e modernização que atravessaram a sua história, a fábrica abandonada nunca deixou de ser reocupada, reapropriada e reativada por um ativo labor de memória e desejo, incluindo as futuridades passadas e presentes que falta cumprir.

Chagas nasceu em 1977 em Luanda, Angola, e vive entre Angola e Portugal. Estudou fotografia na Universidade do País de Gales em Newport (2008); London College of Communication (2007); e Escola Técnica de Imagem e Comunicação de Portugal (2002) e Centro Comunitário de Arcena (1999).
Em 2013, a série Found Not Taken de Chagas foi exibida em Luanda, Cidade Enciclopédica, Pavilhão de Angola na 55a Bienal de Veneza, ganhando o Leão de Ouro de melhor pavilhão nacional. A série posteriormente apareceu nas exposições inaugurais no Zeitz Museum of Contemporary Art Africa, Cape Town (2017). Foi um dos três artistas finalistas do 11o Prémio Novo Banco de Fotografia, com exposição no Museu Coleção Berardo, Lisboa (2015). Ele está entre os ganhadores do African Art Award 2018 apresentado pelo Smithsonian National Museum of African Art, Exposições individuais ocorreram no Kunst Haus Wien, Viena (2016); Instituto Camões – Centro Cultural Português, Luanda (2014); Belfast Exposed Photography (2014) e Memorial Agostinho Neto, Luanda (2013), além de duas individuais na Stevenson (2014 e 2019), uma individual na Apalazzo Gallery (2013) e uma individual na Insofar Art Gallery (2021) . Chagas participa da 8a Trienal de Fotografia de Hamburgo (2022). Ele já participou de exposições coletivas notáveis, incluindo Shifting Dialogues: Photography from The Walther Collection na Kunstsammlung Nordrhein-Westfalen (2022); Cosmologias Africanas: Fotografia, Tempo e o Outro, 18a Bienal FotoFest, Houston (2020); Noite da Travessia: Identidades Regionais X Contexto Global, Museu de Arte Contemporânea de Detroit (2019); IncarNations: Arte Africana como Filosofia, BOZAR Centre for Arts, Bélgica (2019); Máscara – A Arte da Transformação,
Kunstmuseum Bonn (2019); 6a Bienal de Fotografia de Daegu (2018); Da África para as Américas: Picasso face a face, Passado e Presente, Museu de Belas Artes de Montreal (2018); Galeria Nacional da Trienal de Vitória (2017); Espaços Desconstruídos, Memórias Pesquisadas, 11o Rencontres de Bamako, Mali (2017); Histórias Recentes – Nova Fotografia Africana, The Walther Collection, Neu-Ulm, Alemanha (2017); Disguise: Máscaras e Arte Global Africana, Museu de Arte de Seattle e outros locais (2015-16); Nova Fotografia: Oceano de Imagens, Museu de Arte Moderna, Nova York (2015); The Divine Comedy: Heaven, Purgatory and Hell Revisited by Contemporary African Artists, MMK Frankfurt, Smithsonian National Museum of African Art em Washington DC e outros locais (2014-15); Journal, Institute of Contemporary Arts, Londres (2014); NO FLY ZONE, Quilometragem Ilimitada, Museu Coleção Berardo, Lisboa (2013); Trânsito, OCA, São Paulo (2013); Festival de Artes Visuais RAVY, Yaoundé (2012); Future-makers, LVR-LandesMuseum, Bonn (2012); e a 2a Trienal de Luanda (2010).

Ana Balona de Oliveira é historiadora de arte e curadora. É Investigadora Auxiliar (FCT CEEC 2017) no Instituto de História de Arte da Universidade Nova de Lisboa (IHA-FCSH-NOVA), onde co-coordena a linha de investigação ‘Transnational Perspectives on Contemporary Art’. É doutorada em História de Arte (Moderna e Contemporânea) pelo Courtauld Institute of Art, Universidade de Londres (2012), e recebeu bolsas de doutoramento (2008) e de pós-doutoramento (2012) da FCT, Portugal. A sua investigação incide sobre narrativas coloniais, anti- e pós-coloniais, migração e globalização na arte contemporânea de países ‘lusófonos’ e outros, numa perspetiva feminista, interseccional e descolonial. Tem lecionado e publicado extensamente em Portugal e no estrangeiro (Nka, Third Text, African Arts, etc.) e comissariou várias exposições individuais e coletivas em Londres, Guimarães, Lisboa e Luanda, nomeadamente de António Ole, Ruy Duarte de Carvalho, Edson Chagas e ngela Ferreira, entre outros.

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