Liao Jiaming (n. 1992, Guangdong) trabalha com fotografia, vídeo, instalação e performance. A sua investigação explora o entrelaçamento entre tecnologia, ideologia e subjetividade corporizada em contextos diaspóricos e mediados por redes.
A partir da sua experiência enquanto pessoa queer entre a China continental, Hong Kong e o espaço digital, os seus primeiros trabalhos fotográficos desestabilizaram a imagem enquanto lugar de desejo, vigilância e projeção. Através da manipulação, distorção e tradução material, questionou a autoridade indicial da fotografia e examinou de que forma a circulação digital transforma a intimidade e a construção de si. Projetos como Do You Know Where the Birds Are? (2019–2022), The Intouchable (2021) e Too Good to Be True (2021) marcam esta fase.
A sua prática posterior expande-se em direção às infraestruturas tecnossociais — incluindo as arquiteturas das redes sociais, a visão algorítmica e a inteligência artificial — enquanto sistemas que simultaneamente disciplinam e prometem otimizar o corpo humano. Em vez de tratar o corpo como representação, Liao mobiliza o seu próprio corpo e os corpos de outras pessoas como meios operacionais através dos quais construções normativas de género, produtividade e identidade coletiva são ensaiadas e contestadas. Esta trajetória informa trabalhos como Repetition Maximum (2021), Better Than Ever (2022–2026), The Creator (2023) e o projeto em curso How to Find Balance on Water (2025–).
A sua investigação atual examina os preconceitos ideológicos incorporados no desenvolvimento tecnológico. Partindo de perspetivas pós-humanistas e cibernéticas, projetos como The Arcana Intelligent (2022–) questionam criticamente as pretensões epistemológicas da inteligência artificial. Atualmente, desenvolve uma investigação sobre avatares digitais e a história da ginástica radiofónica (廣播體操) no Leste Asiático, aprofundando a sua reflexão sobre a modulação tecnológica dos corpos coletivos.








