DO MATERIALISMO E DA PAISAGEM #03
PROJECÇÃO HABITADA
Colectivo Andrómeda
16 Abril 2026 das 18h–21h
Entrada gratuita (Lotação limitada)

PROJEÇÃO HABITADA é uma experiência de cinema expandido a partir do filme de Inês Oliveira Do Materialismo e da Paisagem (40’, 2026). O filme constitui uma destilação do próprio projecto, documentando residências artísticas, conversas, entrevistas e apresentações realizadas no Algarve. Nesse território, o Colectivo Andrómeda encontra-se com uma diversidade de histórias de trabalho, habitação e vivência, onde o campo surge ora como base de utopia, ora como lugar de distopia.
Do Materialismo e da Paisagem pretende revisitar, criticar e actualizar o Materialismo como instrumento de análise concreta, abordando os seus temas essenciais: a alimentação, ligada à agricultura, e a habitação, ligada à arquitectura. Como relacionar-nos com a Natureza, e entre nós, de forma harmoniosa, para obtermos diretamente da paisagem os bens materiais necessários para vivermos com dignidade e abundância neste fustigado planeta?
Explorando alternativas para uma organização política, social e económica mais justa e em consonância com a Natureza, Do Materialismo e da Paisagem procura imaginar e ensaiar, colectivamente, meios de produção e relações de produção mais justos e respeitadores da paisagem e do mundo vivo.
O Colectivo Andrómeda é constituído por Demba Djabaté, Raúl Jardín, Inês Oliveira, Pedro Rogado, Sancho Silva e Vera Mantero.
Apoios: República Portuguesa – Cultura, Juventude e Desporto / Direção-Geral das Artes, Associação Cultural Catavento – Quinta da Fornalha, Associação Cultural Bóia – Festival Paragem, HANGAR – Centro de Investigação Artística, FILMES DA MÃE – Produtora de Cinema e Audiovisual, Escola Provisória para Nada – Associação Provisória, Câmara Municipal de Castro Marim, O Rumo do Fumo, NowHere Lisboa
Pedro Rogado, arquiteto, desenvolve uma prática transdisciplinar que cruza arquitetura, paisagem, arte e cinema. Estudou no Institut Supérieur d’Architecture Saint-Luc (Bruxelas), na ETSAB – Universitat Politècnica de Catalunya (Barcelona) e na Aalto University (Helsínquia), tendo concluído o curso em 1997, com diploma reconhecido pela Faculdade de Arquitetura da Universidade Técnica de Lisboa.
Iniciou o seu percurso profissional com Eduardo Souto de Moura e colaborou posteriormente com Álvaro Siza e Marco de Campo no projeto de renovação do Stedelijk Museum.
Em Lisboa, trabalhou com Pedro Pacheco & Marie Clément, e Eugénio Castro Caldas, desenvolvendo projetos no contexto da Nova Aldeia da Luz e do Programa de Revitalização das Aldeias Históricas.
A partir de 2000 integrou os Ateliers de Santa Catarina, onde desenvolveu projetos de arquitetura e intervenções transdisciplinares. Em 2010 fundou o Atelier Pedro Rogado, mantendo uma prática centrada na habitação, reabilitação e projetos experimentais.
Entre 2013 e 2016 viveu em Montemor-o-Novo, onde aprofundou práticas de eco construção, agricultura e processos participativos, colaborando com diversas associações e projetos locais. A partir de 2016, entre Tavira e Lisboa, integrou a direção do Cine Clube Tavira, desenvolvendo programação e projetos culturais ligados ao cinema, à agricultura regenerativa e à construção.
O seu trabalho tem sido apresentado em diversos contextos expositivos e editoriais, destacando-se a participação na XXI Trienal de Milão (2016) e a seleção para o Architects Directory da Wallpaper (2008), e o projeto expositivo para a Trienal de Arquitetura de Lisboa 2010, Falemos de Casas: Entre o Norte e o Sul, Museu Coleção Berardo – Centro Cultural de Belém (2010).
Mais recentemente, desenvolve o projeto Do Materialismo e da Paisagem, um processo coletivo de investigação sobre formas de habitar, produzir e viver em relação com a paisagem. Em 2024, o projeto contou com o apoio da DGArtes. Em 2025, foi apresentado no âmbito do projeto Earthworks, da artista Mónica de Miranda, integrado na Bienal de Kochi-Muziris (Índia), sob a forma de uma oficina participativa de eco-construção.
Inês Oliveira é realizadora de cinema. Nasceu em Lisboa no ano de 1976, cidade onde vive e trabalha. Leciona cinema nas escolas ESAD – Caldas da Rainha, ArCo e ACT. Os seus filmes foram exibidos e premiados em festivais internacionais: “O Nome e o NIM” (2003), “Comer o Coração de Rui Chafes e Vera Mantero” (2005), “Cinerama” (2009), “Bobô” (2013), “Vira Chudnenko” (2017), “O Sapo e a Rapariga” (2019), “A Escuta” (2022) e “Neko” (2025), “Visitas de uma Parente Afastada” (2026). Em 2022 fundou a produtora Filmes da Mãe. Pertence à associação MUTIM.
Raúl Gómez, conhecido artisticamente como Raúl Jardín, é um músico e compositor peruano com presença ativa na cena experimental de Lima desde o final dos anos 90. Iniciou o seu percurso com o duo Jardín, em colaboração com Orlando Ramírez, tornando-se uma referência na música experimental peruana, através de uma linguagem que cruza ritmos hipnóticos, texturas industriais e influências da música ritual amazónica.
Desde então, desenvolve uma prática autoral contínua, apresentando o seu trabalho em diversos contextos no Peru, Chile, Argentina, Espanha, Luxemburgo e Portugal. A sua obra centra-se na exploração sonora do quotidiano, recorrendo a gravações de campo e à criação de paisagens sonoras que oscilam entre o real e o imaginário, integrando maquinaria, ambientes industriais e elementos ficcionais.
Como artista a solo, cria música para dança, teatro, ópera e performance, utilizando instrumentos acústicos, eletrónicos e pré-hispânicos. Paralelamente, desenvolve colaborações internacionais, destacando-se o duo Shaolines del Amor, com Tomás Tello, também ligado ao cinema expandido.
Desde 2016, viveu em Tavira e na Quinta da Fornalha (Castro Marim), onde articulou prática artística com agricultura regenerativa. A partir de 2024, trabalha regularmente em Lisboa, com apresentações, residências artísticas no Hangar, e colaborações como Tabató a Rupa-Rupa com Demba Djabaté.
Integra ainda projetos como RESSOA – Ecos do Mundo (SOMA Cultura), Museu do Lugar Vivo e À Procura de Andrómeda – Do Materialismo e da Paisagem, com apoio da DGArtes.
Demba Djabaté é um músico, artesão e multi-instrumentalista originário de Tabató, uma aldeia da Guiné-Bissau profundamente enraizada na tradição griot mandinga. Herdeiro de uma longa linhagem de griots, Demba dedica-se à preservação, partilha e reinvenção deste legado ancestral através da música e da oralidade.
Toca uma vasta gama de instrumentos tradicionais africanos, incluindo balafon, djembé, dumdumbá, bolumbata, gongomá, dundun, dondon e ngoni, além da sua própria voz. A sua prática musical reflete um profundo respeito pelas raízes mandingas, mas também um espírito de abertura e experimentação, promovendo diálogos entre as sonoridades tradicionais da África Ocidental e influências modernas e de outras culturas do mundo.
É membro do grupo Super Kamarimba, com quem lançou o álbum “União” (2020), um projeto coletivo que celebra a música e os ritmos da Guiné-Bissau, promovendo pontes culturais e uma abordagem colaborativa à música tradicional.
Ao longo do seu percurso, tem colaborado com diversos artistas e criadores, entre os quais Marinho de Pina, Filipa César, Mick Trovoada, Demba Galissah, Lassana, Raúl Jardín, Overzak, Cláudia Rocha e Sancho Silva, contribuindo para projetos que cruzam a música, o cinema, a arte sonora, a performance e a investigação artística. Estas colaborações alargam a sua prática a territórios transdisciplinares e afirmam a relevância da tradição griot no contexto contemporâneo.
O seu trabalho centra-se na valorização do património imaterial da cultura mandinga, através de atuações, oficinas, colaborações com outros músicos e projetos educativos, mantendo viva a herança dos griots e contribuindo para a sua continuidade num mundo em constante transformação.
Sancho Silva nasceu em Setúbal em 1973. Licenciado em Matemática Pura pelo Trinity College em Dublin (1995), realizou o curso avançado de artes plásticas no Ar.Co., em Lisboa (2001), e um mestrado em Filosofia na Universidade de Lisboa (2001). Prosseguiu a sua formação em Nova Iorque, onde concluiu um mestrado em Escultura no Pratt Institute, com o apoio das fundações Fulbright e Carmona e Costa, e frequentou o Whitney Independent Study Program (2004), com o apoio da Fundação Gulbenkian.
O seu trabalho tem sido apresentado internacionalmente, em vários países da Europa, América do Norte, África e Ásia, tendo também sido distinguido com residências artísticas de longa duração, nomeadamente na Künstlerhaus Bethanien, em Berlim, e na Fonderie Darling, em Montreal.
A sua prática artística desenvolve-se frequentemente através de construções arquitectónicas provisórias que interrogam as formas convencionais de perceção dos ambientes vividos — biológicos, tecnológicos, urbanos, culturais e políticos. Em Gazebo (Frankfurt, 2002), realizado para a bienal Manifesta 4, construiu um espaço cúbico no interior do espaço expositivo, acessível apenas diretamente da rua, criando uma inversão entre interior e exterior, e entre o público e o semi-público.
Em Bus Stop (Nova Iorque, 2004), integrado na série Orange Works (2002–2010) e desenvolvido em colaboração com John Hawke, construiu um abrigo junto a uma paragem de autocarro em Myrtle Avenue, Brooklyn. Utilizado pelos transeuntes como proteção contra o frio e a chuva, o abrigo acabou por ser removido pelas autoridades.
Nos últimos anos, tem aprofundado a relação entre corpo e espaço-tempo em contextos não urbanos, como campos, florestas e jardins. Desde 2012, desenvolve um jardim/agrofloresta num terreno em Sintra, que utiliza como espaço de trabalho e experimentação.
