{"id":25841,"date":"2024-06-04T21:06:46","date_gmt":"2024-06-04T20:06:46","guid":{"rendered":"https:\/\/hangar.com.pt\/?p=25841"},"modified":"2025-07-13T15:13:03","modified_gmt":"2025-07-13T14:13:03","slug":"bruno-varela-cineasta-etno-experimental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hangar.com.pt\/en\/bruno-varela-cineasta-etno-experimental\/","title":{"rendered":"Bruno Varela, cineasta etno-experimental"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_empty_space height=&#8221;5px&#8221;][vc_separator color=&#8221;black&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_empty_space][vc_column_text]<strong>II m\u00f3dulo: Bruno Varela, cineasta etno-experimental<\/strong><br \/>\n<strong>Sexta-feira, 24 de Novembro, 18h<\/strong><br \/>\nProjec\u00e7\u00e3o seguida de uma conversa presencial com Bruno Varela, moderada por Raquel Schefer.<br \/>\nProjec\u00e7\u00e3o dos filmes El Monolito, M\u00e9xico, 2019, 40\u2019 e El Prototipo, M\u00e9xico, 2022, 63\u2019.<\/p>\n<p><strong>S\u00e1bado, 25 de Novembro, 18h<\/strong><br \/>\nAtelier de fitogramas (fotografia anal\u00f3gica sem c\u00e2mara com materiais org\u00e2nicos vegetais) coordenado por Bruno Varela.<br \/>\nActividade gratuita aberta ao p\u00fablico com inscri\u00e7\u00e3o pr\u00e9via atrav\u00e9s de formul\u00e1rio dispon\u00edvel no site do Hangar.<br \/>\nLimite m\u00e1ximo de 15 participantes.[\/vc_column_text][vc_empty_space][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_single_image image=&#8221;26428&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; css=&#8221;.vc_custom_1725795602176{margin-bottom: -5px !important;}&#8221;][vc_empty_space][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_separator color=&#8221;black&#8221;][vc_column_text]Uma das figuras mais importantes e singulares do cinema experimental contempor\u00e2neo, o cineasta e videoartista mexicano Bruno Varela inicia a sua carreira em 1992 em Oaxaca, no quadro do projecto de v\u00eddeo comunit\u00e1rio ind\u00edgena Ojo de Agua Comunicaci\u00f3n, e, mais tarde, em Chiapas, no Yucat\u00e1n e na Bol\u00edvia, onde forma em v\u00eddeo comunicadores aut\u00f3ctones. A praxis cinematogr\u00e1fica de Varela, definida pelo cineasta como uma \u201cretroguarda\u201d, articula procedimentos formais do cinema experimental, como o reemprego polif\u00f3nico de imagens-sons de arquivo, com elementos culturais aut\u00f3ctones, atrav\u00e9s dos quais se tornam sens\u00edveis, sobre o pano de fundo do contexto hist\u00f3rico-pol\u00edtico mexicano, cosmovis\u00f5es e cosmologias adjacentes. Em El Monolito (2019), m\u00e9dia-metragem que ser\u00e1 apresentada no Hangar, Varela toma como ponto de partida Un amour d\u2019UIQ, gui\u00e3o de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de F\u00e9lix Guattari. Em 1980, o psicanalista e fil\u00f3sofo franc\u00eas come\u00e7a a escrever, em colabora\u00e7\u00e3o com o cineasta norte-americano Robert Kramer, o gui\u00e3o deste projecto cinematogr\u00e1fico inacabado que procura, segundo Silvia Maglioni, \u201coferecer um modelo de cinema \u2018popular\u2019 subversivo e desejante\u201d. Varela transp\u00f5e o projecto de Guattari e Kramer para o contexto da Revolta de Oaxaca de 2006, um dos mais importantes levantamentos populares dos anos 2000 no M\u00e9xico. Para tal, o cineasta reemprega materiais de arquivo que filmou durante a insurrei\u00e7\u00e3o, desenvolvendo formas visuais e sonoras de montagem que se inscrevem, tal como o trabalho de Kramer com o Colectivo Newsreel \u2014 e, mais tarde, em Portugal (veja-se a longa-metragem Scenes from the Class Struggle in Portugal, 1977-79) \u2014, na genealogia do newsreel experimental e que contribuem para a sua desestrutura\u00e7\u00e3o formal e epistemol\u00f3gica. Se a c\u00e2mara de Varela restitui a espessura sens\u00edvel do acontecimento pol\u00edtico na sua temporalidade din\u00e2mica, a montagem deste \u201can-arquivo\u201d, ao operar sobre um princ\u00edpio de indetermina\u00e7\u00e3o de g\u00e9nero, p\u00f5e em crise o sistema eid\u00e9tico do cinema documental e a rela\u00e7\u00e3o convencional entre a representa\u00e7\u00e3o do real e a sua efabula\u00e7\u00e3o. Os agenciamentos colectivos de enuncia\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s das m\u00faltiplas inst\u00e2ncias discursivas do filme, criam um complexo jogo de pontos de vista e apontam para a possibilidade de uma figura\u00e7\u00e3o n\u00e3o-fenomenol\u00f3gica da perspectiva desantropoc\u00eantrica do Universo Infra-Quark do gui\u00e3o de Guattari. El Prototipo, \u201cfilme especulativo\u201d de 2022 que tamb\u00e9m ser\u00e1 projectado no Hangar, radicaliza os pressupostos e procedimentos formais e epistemol\u00f3gicos de El Monolito. Transposi\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica de outro texto de fic\u00e7\u00e3o cientifica \u2014 o romance Valis (1981), de Philip K. Dick \u2014, El Prototipo \u201centran\u00e7a\u201d, verbo utilizado no seu intert\u00edtulo final, materiais de arquivo heter\u00f3clitos e intermedi\u00e1ticos, explorando, atrav\u00e9s do princ\u00edpio de \u201copera aperta\u201d, tanto os n\u00f3s, quanto as fissuras do tecido f\u00edlmico e agenciando pontos de vista que desestruturam o binarismo sujeito-objecto. A c\u00e2mara m\u00f3vel e t\u00e1ctil, ro\u00e7ante e recolectora, ritualiza o proprio processo de representa\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica, questionando o sistema disciplinar da etnografia. Os filmes de Varela, assentes numa pol\u00edtica materialista dos modos de produ\u00e7\u00e3o, s\u00e3o exibidos pela primeira vez em Portugal.[\/vc_column_text][vc_column_text]<em>El Monolito, Bruno Varela, M\u00e9xico, 2019, 40\u2019<\/em><br \/>\n<strong>Sinopse<\/strong><br \/>\n\u201cO monolito \u00e9 habitado por uma entidade min\u00fascula, um universo consciente, um deus ou uma das suas formas. Na sua tentativa de resson\u00e2ncia com o humano, s\u00f3 logra avivar o fogo. Tudo arde para preparar a nova semeadura. Filme-obra negra, materiais de baixa resolu\u00e7\u00e3o, intensidade, fluxos, corpos afectados e corpos afectando outros corpos. A revolta \u00e9 um estado de presente, expansivo. Uma longa-metragem curta, uma curta-metragem longa. Arquivos de Oaxaca em 2006, premoni\u00e7\u00f5es, sonhos de m\u00e1quinas induzidas, sinais emanados a partir do espa\u00e7o profundo. O fogo no presente, como uma antecipa\u00e7\u00e3o do momento.<\/p>\n<p>Apropria\u00e7\u00e3o livre de uma premissa de F\u00e9lix Guattari, declara\u00e7\u00e3o de amor incendi\u00e1ria e extra- terrestre. Um cartaz formid\u00e1vel e excelentes fotogramas. Um filme fracassado na sua temporalidade, um filme ainda por vir.\u201d<\/p>\n<p>(Bruno Varela)[\/vc_column_text][vc_column_text]<em>El Prototipo, Bruno Varela, M\u00e9xico, 2022, 63\u2019<\/em><br \/>\n<strong>Sinopse<\/strong><br \/>\n\u201cUma entidade mut\u00e1vel enviada de outro tempo. Um ser audiovisual quase consciente, dotado de vontade, enviado de um qualquer futuro, ou de muito longe. O tempo \u00e9 um simulacro, um artefacto, \u00e9 poss\u00edvel entrar e sair do seu fluxo atrav\u00e9s de outras geometrias.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s de per\u00edmetros sugeridos no romance Valis, de Philip K. Dick, o Prot\u00f3tipo \u00e9 a manifesta\u00e7\u00e3o de uma intelig\u00eancia superior, inscrita em pel\u00edcula de 16 mm perdida pela passagem de d\u00e9cadas e encontrada num mercado de antiguidades. Cont\u00e9m um sinal da fonte primordial. O motor do projecto activa-se na possibilidade de conceber um filme como um ser vol\u00e1til que se re-organiza frente a cada espectador. Que \u00e9 diferente em cada projec\u00e7\u00e3o e que caminha para a sua auto-destrui\u00e7\u00e3o material\u201d.<\/p>\n<p>(Bruno Varela)[\/vc_column_text][vc_separator][vc_column_text]<strong>Bruno Varela<\/strong><br \/>\n\u201cBruno Varela (Cidade do M\u00e9xico, 1971). Artista audiovisual formado pela Universidade Aut\u00f3noma Metropolitana em Comunica\u00e7\u00e3o Social. Desde 1992, dedica-se a tempo inteiro \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o-produ\u00e7\u00e3o de cinema e v\u00eddeo. O seu processo tem sido desenvolvido essencialmente no Sul geogr\u00e1fico e conceptual do continente, entre Oaxaca, Chiapas, Yucat\u00e1n e a Bol\u00edvia. O seu trabalho tem sido apresentado em m\u00faltiplos f\u00f3runs, exposi\u00e7\u00f5es e e festivais no M\u00e9xico e no estrangeiro, tais como o Guggenheim NY, o Getty Research Institute LA, o Redcat Center for Contemporary Arts LA, a Bienal de Havana, o Centro de Arte Reina Sof\u00eda, a Bienal de la Imagen en Movimiento, o Festival Internacional de Oberhausen ou o Ann Arbor Film Festival. Recebeu pr\u00e9mios e men\u00e7\u00f5es honrosas em v\u00e1rios festivais, como o Pr\u00e9mio E\u2013flux do Festival de Oberhausen (2015). Recebeu a distin\u00e7\u00e3o Media Artist da Funda\u00e7\u00e3o Rockfeller em 2006.\u201d<br \/>\n(Bruno Varela)[\/vc_column_text][vc_column_text]<strong>Raquel Schefer<\/strong><br \/>\nRaquel Schefer \u00e9 investigadora, realizadora, programadora e Professora Associada na Universidade Sorbonne Nouvelle, onde concluiu o seu doutoramento em Estudos Cinematogr\u00e1ficos em 2015. Publicou a obra El Autorretrato en el Documental. Foi bolseira de p\u00f3s-doutoramento da FCT no CEC\/Universidade de Lisboa, no IHC\/Universidade Nova de Lisboa e na Universidade do Western Cape. \u00c9 co-editora da revista de teoria e hist\u00f3ria do cinema La Furia Umana e conselheira de programa\u00e7\u00e3o do International Film Festival Rotterdam (IDFA). No Hangar \u2014 Centro de Investiga\u00e7\u00e3o Art\u00edstica, programou, entre outros eventos, o ciclo Seeing Being Seen: Territ\u00f3rios, Fronteiras, Circula\u00e7\u00f5es (2020-2022).[\/vc_column_text][vc_empty_space height=&#8221;100px&#8221;][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>November 24th and 25th 2023<\/p>\n","protected":false},"author":14,"featured_media":26428,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[165,163],"tags":[253,286],"class_list":["post-25841","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-news","category-research","tag-2023-en","tag-previous"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/hangar.com.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25841","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/hangar.com.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/hangar.com.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/hangar.com.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/hangar.com.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25841"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/hangar.com.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25841\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26432,"href":"https:\/\/hangar.com.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25841\/revisions\/26432"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/hangar.com.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/26428"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/hangar.com.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25841"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/hangar.com.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25841"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/hangar.com.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25841"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}