Título: Luuanda

Inauguração: 22 de Setembro, Sexta-feira, 19h
Conversa com as curadoras Suzana Sousa e Paula Nascimento e Bruno Leitão
Performance de Orlando Sérgio

Exposição: até 14 de Outubro, 2017 | Quarta a Sábado, das 15h às 19h
Entrada Livre

Artistas particpantes: Albano Cardoso | Cristiano Mangovo | Ery Claver | Ihosvanny | Januário Jano | Kiluanji Kia Henda | Keyezua | Pedro Pires

Curadoria: Suzana Sousa e Paula Nascimento

Pedro Pires Tumperwar, 2017

Detalhes

A exposição Luuanda, título retirado da obra homónima de Luandino Vieira, pretende focar-se na experiência vivida da Luanda contemporânea, as suas personagens, ritmos, poesia, nostalgia e drama, seguindo a construção imaginária tão explorada na literatura de Luandino Vieira, Uanhenga Xito ou Ondjaki, entre outros, olhando para as suas dinâmicas actuais. Esta cidade pós-colonial é marcada também por fluxos migratórios e afectada por vários processos de mudança, pelo trânsito e as suas luzes e ruídos, pelos vendedores e vendedoras de rua que tudo têm disponível expondo aos seus clientes um importante espaço da economia informal do país. O que resulta numa circulação de corpos e vidas que parecem ter sido esquecidas pelo processo de crescimento do país.

Hangar – Centro de Investigação Artística
Rua Damasceno Monteiro, 12 Graça

Tlf: +351 218 871 481

Programa Paralelo

22 de Setembro – Sexta-feira, 19h
Conversa com as curadoras e Bruno Leitão
Performance de Orlando Sérgio

25 de Setembro – Segunda-feira, 19h
Conversa com os artistas Pedro Pires e Cristiano Mangovo

11 de Outubro – Quarta-feira, 19h
Conversa com Paulo Moreira, Maria João Grilo e Adriano Mixinge

14 de Outubro – Sábado, 19h
Finissage com música + bar

Biografia das curadoras

Suzana Sousa (Luanda, 1981)
Curadora independente. Doutoranda em Antropologia no ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa com o projeto de pesquisa denominado ‘A nacionalização da arte em Angola: contextos políticos da construção da arte angolana.”

Exposições recentes: Imbanba ya Muhatu – Coisas de mulher, com as artistas Keyezua e Wura Natacha-Ogunji, no Centro Cultural Português em Luanda, Outubro 2016; Seeds of Memory para o pavilhão angolano na Expo Milano 2015, no mesmo ano Love me Love me Not, Arte da Coleção Sindika Dokolo, na Biblioteca Almeida Garreth no Porto, Portugal. Em 2014, Tipo Passe, exposição individual de Edson Chagas, no Centro Cultural Português em Luanda; co-curadoria do projeto Sights and Sounds, no The Jewish Museum em Nova Iorque e parte do comitê de aconselhamento (Advisory committee) da New Museum Triennial. Atualmente sou curadora correspondente da FRONT International: Cleveland Triennial for Contemporary Art.

Paula Nascimento (Luanda, 1981)
Arquitecta e Curadora Independente. Mestre em Arquitectura pela Architectural Association School of Architecture e pela London Southbank University. Fundadora da Beyond Entropy África, estúdio de investigação que se debruça sobre os campos da arquitectura/urbanismo, artes visuais e geopolítica.  

Co-curadora, com Stefano Rabolli Pansera, de Beyond Entropy Angola (Pavilhão de Angola na 13ª Bienal de Arquitectura de Veneza, 2012); Luanda Enciclopeadic City (Pavilhão de Angola na 55ª Bienal de Artes de Veneza, 2013), Ilha de São Jorge (14ª Bienal de Veneza de Arquitectura; ICA Londres; Hangar Biccoca Milano; Hangar Lisboa; Encontres de Bamako Mali – 2014-2015), From Hands to Mind (Experimenta Design Lisboa 2015, XXI Design After Design – Trienal de Milão 2016). Como curadora independente, participa em projectos como The Best Fucking Life (plataforma Curatorial Clube – www.curatorialclube.com), do projecto Being and Becoming: Complexities of the African Identity (co-curadoria com Raphael Chikukwa; Unisa Gallery, 2016), e Being He(re): Mediations on African Feminities (co-curadoria com Violet Nantume, Refilwe Nkomo e Thato Magotsi, Jhb e Luanda 2017).Co-editora da publicação “Ilha de São Jorge – Visões desasombradas” (Beyond Entropy Books, 2014) com Ana Vaz Milheiros e Stefano Serventi. Galardoada com os prémios Leão de Ouro para Melhor Participação Nacional em 2013 na Bienal de Veneza, Prémio Especial ArcVision Women for Expo (2015) e Prémio Angola 35º Artes e Cultura (2013 e 2016).

Biografias dos artistas

ALBANO CARDOSO é um artista multidisciplinar cujo trabalho inclui pintura, fotografia, poesia e vídeo. Natural de Luanda, viajou pela África Francófona, e países do Leste Europeu como desportista da Seleção Nacional de Angola. Tem formação pedagógica, vertente línguas (Português/Inglês), do Instituto Normal de Educação. Leccionou no Liceu Mutu-ya-Kevela, em Luanda. Nos anos 90, Albano frequentou a Faculdade de Literatura, Ciência, e Artes da Universidade de Michigan, Ann Arbor, nos Estados Unidos. Mudou-se para Portugal onde trabalhou com edição musical. Voltou a Angola depois de um hiato de 16 anos, e na sua cidade natal assumiu a prática das artes como elemento chave para abordagem do quotidiano angolano no contexto pós-guerra. Sua pintura usa cor para produzir harmonia e antagonismo, pensamento e estética. Em coluio com a fotografia que produz e que emerge como um convite à conversa acolhedora da reflexão. Imagens para mentes curiosas, que provoca espaço de diálogo aos observadores mais atentos sobre o hoje, presente, e sobre a memória do espaço público: património emocional.

Cristiano Mangovo (b. 1982, Cabinda, Angola). Vive e trabalha em Luanda, Angola. Mangovo obteve o diploma em Belas Artes da Ecóle des Beaux Arts em Kinshasa, D.R.Congo, com especialização adicional em cenografia urbana e performance. Sua prática abrange pintura, escultura e performance, com um forte elemento psicológico e psicanalítico. Em 2013 Mangovo recebeu reconhecimento precoce por seu trabalho, com uma exposição individual na Fundação Arte e Cultura em Luanda, que foi também apresentada no Art BAI naquele ano. Em 2014 recebeu o Prêmio Mirella Antognoli pela Embaixada da Itália e Alliance Française e também o prestigiado prêmio ENSA ARTE, com uma residência na Cité Internationale des Arts em Paris. Mongovo participou de exposições individuais e coletivas em Portugal, França, Itália, África do Sul, República Democrática do Congo e Estados Unidos e sua obra foi apresentada no Pavilhão de Angola 2015 ‘Sementes de Memória’ na Expo Milan, que ganhou o Prêmio Melhor Pavilhão. Em 2016 participou do festival “Infecting the City” em Cape Town, Africa do Sul.

ERY CLAVER (b.1986, Luanda, Angola). Realizador e director de fotografia, Ery Claver é um dos mais versáteis profissionais do mercado audiovisual angolano. Em 2006, participou da Oficina de Fotografia organizada pela Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. Um ano depois, frequentou o curso básico de jornalismo do CEFOJOR e um workshop de Escrita Criativa orientado por Marta Lança no Instituto Camões, em Luanda. Ainda em 2007, Ery participou como fotógrafo na exposição colectiva “Dipanda Forever”, no âmbito da Trienal de Luanda, e expôs pela primeira vez a título individual com “Notas Sobre Aqui”, no Fórum de Arquitectura da Universidade Lusíada de Luanda. Em 2008 regressou a Lisboa, onde fez um estágio como Operador de Câmara e Assistente de Realização na produtora “Até o Fim do Mundo”, desempenhando também a função de Assistente de Câmara na curta-metragem “Momentos de Glória” (2008), de António Duarte. De volta a Luanda, em 2010, Ery participou como Operador de Câmara e Director de Fotografia em vários documentários. Foi no ano de 2013 que Ery Claver integrou a equipa da Geração 80, tornando-se num imprescindível membro da produtora. Recentemente, Ery Claver assinou as curta-metragens experimentais “A luz no quarto era vermelha porque não existia amor” e “Há um zumbido há um mosquito são dois”, como realizador e guionista. Ambas as obras foram exibidas nas edições de 2016 e 2017 da exposição colectiva “Fucking Globo”, em Luanda.

IHOSVANNY (b.1975, Moxico, Angola). Vive e trabalha entre Luanda e Barcelona. É autodidata e membro dos chamados Movimento dos Nacionalistas (único movimento, não oficial, de artes plásticas em Angola), integra-se na nova geração de artistas angolanos nascidos depois da independência. Ihosvanny começou as suas primeiras experiências artísticas em Cuba, onde viveu alguns anos. Foi também lá que ele fez sua primeira exposição. O foco do seu trabalho centra-se nas principais questões ligadas ao urbanismo, físicas (infraestruturas, poluição visual e sonora, consumismo) e psicológicas (comunicação, relações interpessoais). Participou de várias exposições (individuais e coletivas) em Angola, Portugal, Espanha, Brasil , Itália, Uganda, EUA e França. Suas obras integram colecções institucionais e privadas, entre elas Fundação Sindika Dokolo; Fundação Ellipse, Fundação PMLJ.

JANUARIO JANO (b.1979, Angola). Vive e trabalha em Luanda, Londres e Lisboa. Januario Jano é artista visual, graduado pela London Metropolitan University, em Londres, Inglaterra em 2005. Desde então desenvolve seus próprios projetos de pesquisa, que são os condutores da sua prática artística. Jano trabalha principalmente em pintura, instalação, vídeo e fotografia, usando vários media para desenvolver seu trabalho. Em 2016 foi premiado com Art Laguna Price, um dos mais prestigiados prêmios de arte em Veneza, Itália. Em 2015 participou da exposição coletiva “UNORTHODOX”, com os curadores Jens Hoffman & Kelly Taxter no The Jewish Museum, Nova York, EUA. Jano é um dos artistas mais proeminentes atualmente em Angola, de acordo com os críticos de arte daquele país. Em 2013 o Goethe Institut em Luanda convidou-o como artista visitante para o projeto “Moving Africa” em Doual, Doualá, Cameron e em 2014 participou do projeto “St. Ilha Jorge “, de Beyond Entropy, com curadoria de Paula de Nascimento e Stefano Rabolli Pansera.

KILUANJI KIA HENDA (b.1979, Angola). Vive e trabalha em Luanda, Angola.
O interesse de Kia Henda pelas artes visuais surge por ter crescido num meio de entusiastas da fotografia. A ligação com a música e o teatro de vanguarda, fizeram parte da sua formação conceptual, tal como a colaboração com colectivos de artistas em Luanda. Participou em vários programas de residências em cidades como Veneza, Cidade do Cabo, Paris,
Amman e Sharjah, entre outras.
Kia Henda participou também nas seguintes exposições selecionadas: 1ª Trienal de Luanda, 2007; Check List Luanda Pop, Pavilhão Africano, Bienal de Veneza, 2007; Farewell to Post-Colonialism, Trienal de Guangzhou, 2008; There is always a cup of sea to sail in, 29ª Bienal de São Paulo, 2010; Tomorrow Was Already Here, Museu Tamayo, Cidade do México, 2012; Les Prairies – Les Ateliers de Rennes,
2012; Mondays Begins on Saturday, 1ª Trienal de Bergen, 2013; The Shadows Took Shape, The Studio Museum of Harlem, Nova Iorque, 2013; Producing the Common, Dakar Biennale, Dakar, 2014; The Divine Comedy, Museum für Moderne Kunst, Francoforte and Smithsonian Institute, Washington, 2014; Surround the Audience, New Museum Triennial, New York, 2015; Museum (Science) Fictions – MUSEUM ON/OFF, Centre George Pompidou, Paris, 2016; TATE Liverpool, Constellations, 2016.
Em 2012, Kia Henda ganhou o Prémio Nacional da Cultura e Artes, outorgado pelo Ministério da Cultura de Angola e, em 2017 venceu o Frieze Artist Award em Londres.

Keyezua é uma artista angolana licenciada em Mídia Interativa pela Real Academia de Artes em Haia, Holanda. Keyezua explora diferentes materiais para contar uma história através da arte explorando colagens digitais, fotografia, instalações, esculturas e performance. Gosta de definir-se como uma contadora de histórias.

PEDRO PIRES (b.1978, Luanda, Angola). Licenciado em Escultura pela Faculdade de Belas Artes de Lisboa, é mestre em Artes Plásticas pela Central Saint Martin College of Art & Design, em Londres, no Reino Unido. Desde 2005 expõe individual e colectivamente, realizando esculturas públicas e outros projectos. Em 2013 iniciou o projecto “Roulote Projectos Artísticos” em Portugal, como director artístico desta galeria de arte móvel e, no final de 2013, mudou se para Malange, Angola, por um período de um ano e meio, onde desenvolveu novo trabalho. Em 2015 participou na Exposição Colectiva da 4ª edição resultante da Residência Artística “(JAANGO) Nacional”, em Luanda. No mesmo ano realizou a sua primeira exposição individual em galeria em Angola. Recentemente, participou da residência artística na Momo Gallery, Joanesburgo, África do Sul durante 3 meses, após a qual fez uma exposição individual de nome “Doppleganger”.

Esta exposição tem apoio financeiro:

No âmbito do Programa 180° Artistas ao Sul: